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Reclusion Internship

Começo com um suspiro de quem colocou a cabeça para fora do buraco entre a barreira na janela e é bombardeado novamente no meio de uma guerra de egos e julgamentos precipitados e desnecessários, cansando ainda mais o pouco que resta da paciência e da luta contra a vontade de reclusão, me fazendo querer tirar férias do social, quebrando a única promessa feita nos últimos tempos de que não desapareceria.

Deixo sobre a mesa livros abertos dando dicas de onde estou a aqueles que se interessarem e que realmente me conhecerem, os que entenderão onde posso ser achado por quem quero ser achado. Uma pista simples que contanto não consigo pensar em duas ou três pessoas que possivelmente entenderão.

Eu sumi, precisei da reclusão, do descanso da multidão que me fazia me sentir diferente por não querer ser diferente e acabar igual a todos os outros, se individualizando em rebanho com as mesmas opiniões revoltadas gritadas para quem quiser ouvir, já que as mensagens passadas sempre se repetem para as pessoas que as mandam mas nunca para aqueles fora do contexto que as precisavam ouvir. Fugi da dificuldade para me recuperar, lembrar de onde vim e esperar algo mudar para que eu pudesse encarar o mundo sem ouvir o som do esporro, enquanto me calava ao me sentir ameaçado para segurar a hostilidade e não me deixar cair numa briga onde o único lado que sai ganhando é aquele que prefere apontar seus julgamentos, mesmo que sem nexo e mal reformulados.

E, por dias, ficarei assim, reconstruindo minha coragem e deixando tudo de lado, recuperando mais uma vez o meu senso, dominando a fragilidade da carência de afeto e paciência social até que possa tentar encarar mais uma vez, e agora, sem erro, um mundo onde os que estão ao seu lado também acabam por te repreender, mesmo que por um breve acidente “egoísta” mal pensado.

I’m passing by unseen, even though screaming.


To The-one-who-once-broke-my-heart:

Minhas considerações finais:

Obrigado, obrigado por não me iludir, obrigado por ser sincero consigo mesmo e comigo e, mesmo por faltar me dar uma chance, obrigado por não tomar o caminho de se esconder e de esconder o que sentia de mim e vir até mim, pessoalmente, do modo mais honroso o possível para me dizer a verdade, ao invés de causar um estrago maior, tentando nos poupar de uma situação que, hoje eu vejo que, depois de um tempo, teria um fim ainda mais devastador do que teve, e por mais que tivessem tido consequências e eu tivesse agido de uma maneira infantil, ainda assim, eu agradeço.


The Last Late Outflow (twothousandandtwelve.cbr)

(.cbr: formato usado para leitura digital de histórias em quadrinhos)

Por mais doloroso que seja cutucar o que se passou, por mais que não mostrasse disposição, não pude deixar 2012 partir sem tripudiá-lo severamente, com unhas e dentes, devolvendo cada gota de suor e lágrima despejados ao longo de sua duração, e no final, agradecê-lo sem olhar para trás, como um casal que briga frequente e abruptamente, e depois se reconcilia no meio do caos, com os móveis quebrados e a sala bagunçada, iluminados apenas pelas luzes da janela, da rua, no meio da madrugada, com os ouvidos zumbindo no silêncio depois de tanta gritaria. 2012 foi assim, mais uma prova de que não posso mais continuar casado comigo mesmo, mas ainda assim, não viveria sem mim.

Se pudesse fazer jus a um resumo decente do meu ano, teria que dividi-lo em 3 partes significativas que o fazem parecer como se fossem 3 anos diferentes, talvez, tivesse eu apressado as coisas demais, mas se fosse assim, com certeza não teria chegado ao fim desse ano, muito menos me conhecido tão bem como o fiz.

E como um turbilhão de acontecimentos, meu ano já começava no caos, no recomeço forçado com perdas em todos os lados, onde eu me encontrei completamente no vazio, sem nenhuma ideia do amanhã, com os primeiros dias de sensação delicadas da perda do que parecia ser um pedaço de mim, sem ideia do que fazer para crescer e sem muitas chances. Como quem não tinha mais nada a perder, amadureci quase que instantaneamente, me jogando de cabeça pro lado que jurei pra mim mesmo nos anos anteriores nunca me jogar antes, talvez pra mostrar amadurecimento e respeito ou talvez, simplesmente, para preencher um vazio e ocupar minha cabeça com algo produtivo, tive sorte de não passar por isso sozinho e saber segurar bem o fôlego até me recuperar.

Depois, numa tacada arriscada resolvi buscar a independência com o auge de uma criatividade que simplesmente não saia, buscando me criar limites de um lado e me ilimitar do outro, querendo contornar a situação desse ano com as minhas próprias mãos e começar algo meu, criando meses de planejamento, criações e um aprendizado que eu nunca teria em outro lugar até me sentir preparado pra me jogar no mundo e tentar lutar… afogado, pela demanda, pelo cansaço, pela falta de criatividade, mesmo forçada, onde tive que pausar e acabei pausando coisas demais, e, de novo, me via no zero, derrubado, outra vez, por 2012.

Porém, na terceira parte do meu conturbado ano, quando menos esperava, e a esperança já não me esperava mais, você apareceu me mostrando uma nova perspectiva, seu ano, mais conturbado do que o meu, mas sua atitude forte, seu caráter, sua maturidade, suas vontades, planos e desejos, seus gostos e seu jeito me tiraram as forças e me fizeram acreditar e segurar um pouco mais, depois de um árduo caminho, onde, mesmo prometendo me entregar apenas a minha carreira e segurar a onda por mais alta que ela fosse, eu me permiti me apaixonar de novo e me entregar aos poucos, esperando o mesmo acontecer até que pudesse pensar que nada realmente está perdido, e que sempre tem um segundo caminho pra se recomeçar.

Então, em resumo, em 2012 fui derrubado, me forcei a coisas que nunca teria feito antes mas usei isso para dar a volta, buscar os meus objetivos, aprender a lutar e perder e me guardar pra recomeçar quando puder, e além de todo esse aprendizado pessoal e de vida, eu aprendi a dar uma pausa e me preocupar com algo a mais além do workahoolismo exagerado e violência mental pra tirar uma gota de criatividade forçada que fosse. No final, tudo o que eu tenho pra dizer é, well played, 2012, well played.


Chain Reaction

“Actioni contrariam semper et aequalem esse reactionem”


“Para toda a ação, há uma reação equivalente e oposta.”

- Sir Isaac Newton



Com o passar dos anos e todos os acontecimentos que acarretaram pro meu crescimento até agora, de uma coisa eu aprendi a ter certeza, o mundo é egoísta. Pessoas fazem coisas pelos seus motivos próprios, não importa se a ação é direta a você ou se a ação é boa ou ruim, e é a regra que mais tem se provado real para mim nos últimos tempos.

Minha intenção está longe de ofender o mundo, e, por egoísta, eu aponto uma das grandes virtudes da existência, onde religiosos agem com compaixão e caridade por seus próprios deuses, por medo do sofrimento do fim da vida, enquanto pessoas de menor espiritualidade se sentem confortáveis consigo mesmas ao se deparar com tamanha demonstração de “fraqueza do intelecto”, criando a analogia de ovelhas em um rebanho, assustadas, com medo de um mundo diferente que vá além do pasto, com medo da existência, até mesmo, de outros pastos, com outras ovelhas, e principalmente cabras, que são diferentes de ovelhas.

É um egoísmo que causa uma reação em cadeia que cria o karma, pois quando somos prejudicados, sempre tem uma decisão alheia por motivos alheios envolvidos, mesmo que não saibamos qual, quando um limão nos é atirado contra a face, tem sempre o outro lado de quem recusou agressivamente um limão, que, por sua vez, recebeu um limão de alguém ou algo que, de uma outra forma diferente, terminou por possuir um limão que resolveu repassar. O karma nos assegura de que todas as nossas ações façam o caminho contrário, por intervenção de uma fonte que talvez não quisesse, realmente, causar o efeito desejado, mas com certeza quis causar um efeito próprio por uma atitude completamente egoísta, somos afetados pelas nossas decisões, que causam decisões forçadas a outros, que causam decisões voluntárias de outros que, depois de um longo ciclo, volta para nós, da mesma forma que entregamos isso ao mundo a nossa volta, como uma gigante linha circular de dominós, que pode envolver um círculo de pessoas pequeno, ou uma grande multidão.

O que nos faz refletir e pensar, primeiramente, que o que acontece conosco é culpa de uma ação egoísta de alguém diferente, que acaba por se tornar um outro acontecimento egoísta e vaidoso (que serve como virtude para nos protegermos diante a grande ameaça de egos da exibição de egoísmo coletiva) quando, no final das contas, o que acontece conosco, de bom ou ruim, é culpa nossa, pois, anteriormente, um ato egoísta, bom ou ruim, saiu de nossas cabeças por um motivo próprio e, consequentemente, causamos um acontecimento bom ou ruim na vida de alguém, ou até mesmo diretamente nas nossas próprias vidas.


Reverie

As luzes acesas no meio da madrugada e fones explodindo músicas em loop enquanto nada era visto numa tela cheia de coisas. Eu finalmente entendia por que as pessoas dormiam só quando se sentiam extremamente cansadas e não largavam sua música pulsante e seus computadores viciantes, eu finalmente via o que todos diziam ter visto quando estavam a ponto de se abandonar à loucura e o vazio em suas mentes e vidas.

A sensação do medo do silêncio e da escuridão, me perseguindo com fantasmas passados, me paralisando demais para conseguir fechar os olhos e fugir nos meus pensamentos até a inconsciência, eram o motivo ideal para eu me fechar na luz e impedir minha cabeça de realizar uma linha de pensamento que fosse, a envenenando com o som alto de qualquer música que fosse mais agitada. Dormir não era uma opção, eu optava gritar pela ilusão. Mesmo que de momento.


After the storm…

Se a minha vida fosse um filme, nesse exato momento eu teria encontrado o personagem babaca andando pela rua e ele teria me embebedado e me levado pra cama pra trair o amor da minha vida, que descobriria tudo na cena seguinte, dando ao filme mais uma meia hora… ou eu estaria com o cara babaca e o cara legal me abortaria e me ofereceria um lugar pra dormir depois de beber e eu acabaria percebendo todo um enredo amoroso desastroso, de qualquer forma, eu teria pelo menos dormido com alguém.

Na vida real, eu assisto a cidade esfriar no meio da primavera, às 5 da manhã, da varanda de casa, em uma frente fria que promete durar o feriado todo.


Era aquilo…

E lá ele ficou, varrendo apreensivo como se fosse o fim do mundo, e para ele era, apesar de que se realmente fosse ele não estaria ali, e sim fazendo o que realmente gostava e correndo atrás do que realmente queria, nem que fosse para curtir uma única vez.

(é uma história pequena por que esse aí sou eu agora.)


Creepypasta

Ela acordou na cama dele, cansada da noite anterior. O cheiro em suas roupas reforçava a preguiça que tinha de se levantar, eram 6:38. Ele estava do seu lado, do jeito que ela queria, deitado, inerte, seus olhos, mesmo fechados, pareciam ainda revirados.

Sentada ao seu lado, ela assistia seu corpo deitado da mesma forma que o tinha deixado, os lençóis amassados e sujos, coisas jogadas no chão, o cenário como se tivesse acontecido uma briga em um quarto zoneado de menino.

Na noite anterior ela tinha entrado pela sua janela, sem aviso prévio, assustado, ele ficou sem reação, apenas assistindo seus passos até ela se aproximar, seus cabelos ruivos, olhar agitado e respiração forte haviam o hipnotizado. Ela o perseguia pelo quarto, suas unhas passavam pelas costas e pelo cabelo dele, ela o agarrou e o jogou na cama, prendeu seus braços, sentada em cima dele, seus olhares cruzados e suas expressões de tensão, após o beijo ele tentava se debater sem sucesso, já estava tonto, ela já dominava sua mente como um parasita, o impedindo de pensar para reagir, revirou os olhos e os fechou, era o que ela mais queria.

Depois de se levantar, ela colocou suas botas, levantou alguns objetos derrubados e, ao chegar na janela por onde tinha entrado, se virou e olhou para o seu corpo deitado, da mesma forma que o tinha deixado, orgulhosa do que tinha feito, pois garotas boas são garotas más que ainda não foram pegas.


Settle Down

Coisa de criança, o cabelo bagunçado, o uniforme alinhadinho, as idas e vindas da escola pra casa e a falta de preocupação com a vida em si, foi como um primeiro amor a primeira vista, desde o primeiro contato inocente, sem entender o que acontecia, mas ainda assim admirando cada detalhe.

Os anos se passaram e foi se fazendo muito mais que parte da minha vida, o cabelo ainda bagunçado, as roupas jogadas e as pilhas de CDs e revistas, me dava uma forma diferente de ver o mundo, me levava para lugares que eu não conhecia com uma adrenalina que eu nunca imaginei ter, era tudo novo, e eu não podia deixar aquela sensação ir embora.

Quando eu finalmente pude te entender, quando ja me via totalmente dominado, esperando para saber o que viria pela frente, você saiu da minha vida como quem não queria mais nada, como quem queria esperar, sem realmente se separar, como quem queria uma pausa pra pensar em outras coisas. Aparecia de repente pra dar um oi, principalmente na minha memória, sem deixar de fazer parte da minha vida.

Apareceu vez ou outra, de outras formas, pra me provocar, pra me deixar na expectativa e me lembrar do que eu sentia falta, daquela adrenalina do novo, do som ecoando nos meus ouvidos que me animava e me ajudava a derrubar muralhas dentro de mim, por que com você, eu nunca me sentia sozinho.

Quase 7 anos se passaram sem muitas notícias, as noites em claro lembrando de você, as letras escritas em cadernos, pensar em você e te ver tão recente na minha vida mesmo quando as esperanças de você voltar já estavam um pouco apagadas quando soube do seu retorno, que me jogou de novo na sensação do novo, na expectativa, os arrepios e as novidades.

Os dias começaram a se tornar incontáveis e as coisas foram acontecendo do jeito que queriam acontecer, as novidades apareciam e a cada pontada de uma ponta qualquer que eu ouvia sobre você, meu coração apertava e a expectativa me pegava novamente, eu voltava direto pra onde tinha começado e me jogava na redoma que prendia você na minha cabeça, sem parar.

E tem sido doloroso, mas tem valido a pena, por que você é esperto, e eu acho que deve ser bom pra mim.

Agora, depois de entender tudo o que me passou e levar isso pra toda a minha vida, o cabelo ainda bagunçado, a vida dificultada, as roupas arrumadas e bagunçadas ao mesmo tempo, a mesma pilha de CDs e o mesmo ar de sempre, a expectativa, a curiosidade de como você está e a certeza de que vou me impressionar, sabendo que o que vai fazer agora vai ser bem feito, e me arrepiar como sempre fez. Saber que meu amor de infância está voltando pra mim, e que você me deixa feliz, você fez parte e mudou a minha vida, que eu cresci e estou pronto, e devo tudo isso á: Você.

This feeling has got to stay!


(tem um link aí, ok?)